Uma reflexão sobre a Telemedicina
Assim construí minha formação, acreditando que a proximidade com o paciente, era fundamental para realizarmos uma boa medicina. Afirmo constantemente para meus pacientes e familiares, que a empatia é o melhor medicamento que podemos oferecer àqueles que se encontram em sofrimento.
Não sou absolutamente contra a tecnologia, muito pelo contrário. Acredito que ela é uma grande parceira. Vislumbro um futuro onde nanorobôs serão capazes de reparar genes defeituosos, medicações sendo personalizadas, cirurgias serão cada vez menos invasivas. Vislumbro uma medicina menos agressiva e mais objetiva. Mas, nem por isso creio que nos distanciemos dos pacientes. E não continuemos a ouvi-los e a tocá-los.
Nesses anos como médico descobri que os interesses da indústria e dos convênios médicos, sobrepujam muitas vezes as barreiras da ética e sensatez. E nós médicos muitas vezes embalados pela promessa, pelo marketing poderoso, nos curvamos e damos aval a muitas mentiras.
A telemedicina veio para ficar! Acho difícil mudarmos isso, pois somos apenas um elo, muitas vezes enfraquecido por uma desunião incompreensível. Muitos de nós se curvarão a tela, mantendo o distanciamento do odor pútrido das feridas, protegidos do potencial elevado de transmissão de algumas doenças. Assegurando uma “medicina” àquele que nos assiste, sem tocá-lo, sem levar o calor de nosso conhecimento. Acreditando que a imagem e o relato serão suficientes para realizar o tratamento.




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